Agora
EventosItaú publica a palestra de John Maeda sobre AX e a evolução do UXIA & TechBrauer esconde no site O Arquivo Perdido, jogo em pixel art com cupons e livrosLivrosBrauer lança Novo Repertório, de Marcos Rezende, com versão digital gratuitaPrêmiosLiceu de Artes e Ofícios lança o Prêmio Design, com inscrições até 14 de janeiroNomesGabriel CastilhoNomesElizabeth SilvaNomesJoão CostaReferênciasMostra de São Paulo abre acervo digital com os cartazes das 50 edições, vinhetas e os registros de mais de 11 mil filmesLivrosLivro de 700 páginas reúne mais de 500 capas de cordel e trata a tipografia improvisada como sistema de designReferênciasSagmeister borda numa bota os números da OCDE sobre pessoas em situação de rua e põe a eletricidade renovável num tênisEventosItaú publica a palestra de John Maeda sobre AX e a evolução do UXIA & TechBrauer esconde no site O Arquivo Perdido, jogo em pixel art com cupons e livrosLivrosBrauer lança Novo Repertório, de Marcos Rezende, com versão digital gratuitaPrêmiosLiceu de Artes e Ofícios lança o Prêmio Design, com inscrições até 14 de janeiroNomesGabriel CastilhoNomesElizabeth SilvaNomesJoão CostaReferênciasMostra de São Paulo abre acervo digital com os cartazes das 50 edições, vinhetas e os registros de mais de 11 mil filmesLivrosLivro de 700 páginas reúne mais de 500 capas de cordel e trata a tipografia improvisada como sistema de designReferênciasSagmeister borda numa bota os números da OCDE sobre pessoas em situação de rua e põe a eletricidade renovável num tênis

Cossette desenha a 14ª edição do festival de cinema de Québec a partir do feixe do projetor e deixa a luz atravessar o próprio logotipo

por

Logotipo do festival em quatro linhas brancas sobre faixas de luz coloridas em diagonal
Reprodução: cossette design

Cada faixa é um ponto de vista e a convergência delas forma o espectro, o que faz da marca a descrição do aparelho que torna o festival possível.

O cone de luz do projetor

Festival de cinema é um dos briefings mais difíceis do design gráfico porque quase tudo já foi tentado: a claquete, a bobina, a poltrona vermelha, o grão da película, a fotografia em preto e branco de alguém olhando para cima. A saída aqui foi recuar um passo antes do filme e olhar para o equipamento que faz o cinema acontecer numa sala, que é o projetor, e mais especificamente para o cone de luz que sai dele e atravessa o ar cheio de poeira até bater na tela.

Desse cone vem a regra do sistema inteiro: um ponto de origem à esquerda, de onde partem faixas que se abrem em leque e ganham cores diferentes, com a leitura de que cada faixa é um olhar sobre o mesmo filme e que o conjunto delas, sobreposto, é o que forma a experiência coletiva de assistir junto. Como argumento de marca isso funciona melhor do que a média porque não é metáfora emprestada de outro assunto, é a descrição física do que acontece numa sessão.

Cinco cartazes do festival colados lado a lado em um tapume de rua
Reprodução: cossette design

O que acontece com o logotipo

A decisão mais arriscada do projeto está no nome. O logotipo é composto em caixa baixa, numa grotesca neutra, quebrado em quatro linhas, com as três preposições empilhadas numa coluna própria à direita, o que transforma a assinatura num pequeno bloco de texto justificado em vez de uma marca desenhada.

Esse bloco é então jogado sobre as faixas de luz sem nenhuma caixa de proteção, sem fundo, sem contorno, e onde passa uma faixa clara as letras brancas simplesmente desaparecem. A palavra québec fica meio apagada no cartaz, a palavra festival perde o começo, e o sistema não trata isso como defeito a corrigir, trata como o comportamento esperado de qualquer coisa colocada na frente de um projetor ligado.

Pilha de programas impressos e páginas internas com a grade dos cinco dias de festival
Reprodução: cossette design

Repetição no lugar de hierarquia

Em vez de um cartaz com um título grande e informação de serviço no rodapé, as peças repetem os mesmos quatro elementos em pontos diferentes da diagonal: o logotipo, a expressão 14e édition, as datas 10 09 25 e 14 09 25, e as preposições du e au soltas, empilhadas, quase como legenda de outro idioma.

O efeito é de um texto que escorre junto com a luz, legível em pedaços conforme o olho sobe ou desce a faixa, e isso resolve na prática um problema chato de festival, que é a quantidade enorme de informação obrigatória disputando o mesmo espaço com patrocinador. No programa impresso a mesma lógica vira grade: cada dia ocupa uma coluna, os títulos dos filmes entram em caixa baixa, e a cor fica inteiramente por conta das faixas.

Tela vertical na parede com o horário 19:30 sobre as faixas de luz e a sessão de curtas-metragens
Reprodução: cossette design

As peças fotografadas em uso

Case de identidade costuma viver de simulação, e o que separa este da maioria é a quantidade de peça fotografada em uso: os cartazes colados em sequência num tapume, onde a diagonal de um continua no seguinte e a rua inteira vira um feixe só; o painel de fundo das fotos oficiais, com as pessoas recortadas contra as faixas; as telas verticais com o horário da sessão em números gigantes; e a identidade projetada na tela da sala durante a entrega de prêmios, com a luz do projetor refletindo no chão do palco e fechando o circuito da ideia.

Cartaz colado na rua e foto de grupo diante do painel oficial do festival
Reprodução: cossette design

O que veio antes

Esse sistema não apareceu do nada. A mesma agência já havia redesenhado a marca do festival no ano anterior, num projeto construído sobre desfoque e profundidade de campo, com fundos alaranjados e o nome repetido em camadas fora de foco, partindo da ideia de que o festival precisava voltar ao seu núcleo, que é o cinema, e de que a identidade deveria ser feita do mesmo material que a imagem projetada.

O que mudou de um ano para o outro foi a passagem do borrão para a linha, ou seja, do que a imagem parece quando sai de foco para o que a luz faz antes de virar imagem, mantendo a mesma família de cores saturadas e a mesma tipografia em caixa baixa. É uma continuidade rara de ver em festival, onde o normal é cada edição começar do zero com outro fornecedor.

Homem no púlpito diante da tela de cinema com a identidade projetada e a luz refletida no chão
Reprodução: cossette design

Um sistema que serve a qualquer tema do ano

A programação de 2025 foi dedicada ao olhar das mulheres sobre o mundo, com a chamada les femmes enflamment l’écran, e nada disso aparece na identidade, o que é exatamente o ponto: o sistema é a casca que serve a qualquer tema, e a edição seguinte, dedicada a juventude, identidade e futuro, caberia dentro dele sem precisar refazer nada.

É esse o teste que separa identidade de campanha, e vale olhar com atenção para quem desenha para festival, feira ou bienal no Brasil, onde o contrato quase sempre pede uma coisa que pareça nova todo ano e acaba entregando uma marca que nunca acumula reconhecimento.

Ficha

Designer cossette design, Richard Belanger
Classificação Identidade visual, Cartaz, Festival
Site https://fcvq.ca/
Fonte oficial Behance · cossette design, Richard Belanger
Fonte oficial Behance · cossette design

Continue lendo

Referências17 out 2026

Mostra de São Paulo abre acervo digital com os cartazes das 50 edições, vinhetas e os registros de mais de 11 mil filmes

Depois de dois anos recuperando e digitalizando o próprio banco de dados, a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo colocou no ar o Acervo da Mostra, plataforma aberta de consulta. Para quem pesquisa cultura gráfica, o que interessa é a série completa de pôsteres e vinhetas de cinco décadas, disponível sem pagar nada.

Ler o post
Referências16 out 2026

Sagmeister borda numa bota os números da OCDE sobre pessoas em situação de rua e põe a eletricidade renovável num tênis

A marca alemã ekn footwear abriu em 14 de outubro a pré-venda de dois calçados feitos com Stefan Sagmeister, em que visualizações de dados viram o desenho do produto. A bota traz bordados os índices da OCDE de pessoas vivendo na rua por país, e o tênis parte da participação das fontes renováveis na geração mundial de eletricidade.

Ler o post
Referências9 out 2026

Estúdio de Lima resolve a marca de comida infantil com um trocadilho em espanhol e uma bolinha de massa que serve a qualquer produto

O Henri Barrett Studio publicou a identidade da Pick A Good, marca peruana de comida saudável para crianças, construída em torno da frase Como jugando, que em espanhol significa ao mesmo tempo eu como brincando e tal qual brincar. O personagem da marca é uma bola de massa sem espécie definida, desenhada assim de propósito para virar pão, biscoito, almôndega ou bolinho de legume.

Ler o post