A tese
A editora resume assim: o mobiliário moderno brasileiro tem reconhecimento nacional e internacional e uma série de designers emblemáticos, mas o legado do período vai muito além deles. Havia dezenas de fábricas e marcenarias, lojas de perfis variados, presença em revistas, designers independentes e arquitetos que eventualmente desenhavam móveis. O livro trata desse espectro menos reconhecido, com peças de autoria anônima ou pouco difundida.
Como o livro é montado
Três partes. A primeira é uma revisão histórica da produção moveleira no Brasil, por Giancarlo Latorraca, que, com Karen Matsuda, discute autoria e reprodutibilidade e pergunta em que medida o racionalismo global ganhou aqui características próprias. A segunda, de Karen, repassa tipologias, formas e materiais recorrentes da produção em escala e como ela chegava ao consumidor.
A terceira, de Jayme Vargas, apresenta móveis de dezenas de fabricantes: de grandes fábricas com história acessível, como Cimo, Gelli, Liceu de Artes e Ofícios e Celina Decorações, a outras identificadas só por um selo no móvel ou um anúncio de revista. No fim, exemplares sem procedência nenhuma. A descrição da editora fecha com a pergunta: Anônimas?
As imagens são um ensaio de Ruy Teixeira feito num galpão histórico do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, mais cerca de 200 reproduções de editoriais e anúncios de época e fotos de peças cedidas por galerias.
Quem assina
Latorraca é arquiteto, doutor pela FAU-USP, começou nos escritórios de Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha e foi diretor técnico do Museu da Casa Brasileira. Matsuda é historiadora e doutoranda em design na FAU-USP. Vargas é curador independente e foi presidente da associação de mobiliário moderno brasileiro, hoje Brazilian Modern Design Guild. Teixeira, fotógrafo, ganhou o Jabuti de Livro de Artes em 2018. Os quatro já têm outros títulos pela Olhares.
Ficha
240 páginas, capa dura, 1.050 gramas, ISBN 9786560920477. R$ 160, com disponibilidade imediata. O livro foi feito com recursos do ProAc, do governo paulista, e patrocínio da Sorocaba Refresco. A conversa de lançamento com os autores foi no galpão do Liceu, em 15 de novembro de 2025.
Sobre as medidas: a ficha lista largura de 21 cm, altura de 2 cm e comprimento de 14 cm. Na mesma loja, o livro de Chico Homem de Melo tem largura de 1 cm, altura de 24 e comprimento de 18. A espessura da lombada entra num campo diferente em cada ficha.



