Os 27 do inventário
No Sobrado Aimorés fica a exposição que mais interessa a quem acompanha mobiliário e objeto no Brasil. Inventário brasileiro reúne peças de 27 designers que passaram pelo festival ao longo da década, uma lista que inclui Paulo Alves, Bel Lobo, Fernando Jaeger e Yáskara Jaeger, Alexandre Salles, Alfio Lisi, Ana Vaz, Daniela Karam, Fabiana Queiroga, Gustavo Bittencourt, Igor Sabá, Karol Suguikawa, Luly Vianna, Maraí Valente, Maria Helena Emediato, Murilo Weitz, Rodrigo Ambrosio e os estúdios Alva Design, Decameron, Estúdio Fetiche, Yankatu, Caboco e Ateliê Caféadois.
Reunir num mesmo lugar gerações que vão de nomes consolidados a estúdios recentes é o tipo de recorte que normalmente só uma bienal faz, e que aqui sai da própria história do festival.

O que saiu dos encontros deste ano
A exposição Design feito à mão mostra os produtos desenvolvidos em 2026 no projeto que dá nome ao festival, com os designers Bruno Niz, Luciana Pires e Paulo Biacchi trabalhando com o cuteleiro Bruno Timochenco, as Ceramistas do Elvas, o coletivo de bordadeiras Construindo Sonhos e o escultor Michael Ferreira. Ao lado dela, no mesmo Centro Cultural Yves Alves, Tesouro cotidiano faz o balanço dos dez anos dessa dinâmica, com uma seleção das peças que saíram dos encontros anteriores.
A expografia das duas é de Alexandre Rousset, que também assina a montagem do Inventário.
Dez anos de sobras viram marchetaria
Na Casa Criativa, o paranaense Zé Arns apresenta Amálgama botânica, feita com retalhos de madeira de espécies, densidades e épocas diferentes, acumulados ao longo de dez anos de oficina e combinados por marchetaria.
O detalhe que faz a mostra valer a visita é o que ele escolheu produzir: modelos que antes saíam de blocos únicos foram refeitos em retalho, de modo que a mesma peça aparece agora listrada pela variação de tom e textura da madeira reaproveitada. É aproveitamento de resíduo tratado como decisão de desenho, e não como selo de sustentabilidade colado no fim do processo.

As máscaras de Porto de Pedras
Também na Casa Criativa, Enquanto houver bobo coloca lado a lado oito máscaras de Mestre Gilberto e seis novas do coletivo Bobo Gaiato, encabeçado por Thiago Souza, que mantém viva a tradição mascareira de Porto de Pedras, em Alagoas. As peças são feitas com moldes de barro e goma de mandioca, num processo parecido com o do papel machê, e algumas chegam a 78 centímetros.
A montagem, que põe o trabalho do mestre ao lado do da geração seguinte, é o argumento da exposição inteira: mostrar a continuidade sem transformá-la em peça de museu.

O resto da programação
O homenageado da edição é o artista tiradentino Vinícius Rosa Rios, com a exposição Graça, na Igreja São João Evangelista, construída a partir do universo dos ex-votos, os objetos oferecidos em agradecimento por uma graça alcançada. No Espaço Raízes fica Ester Dançando Vogue, doze retratos feitos por João Bertholini em 2019 na Casa Neon Cunha, espaço de acolhimento para a população LGBTI+ em São Bernardo do Campo.
A programação completa se divide em sete frentes, com palestras, mercado, oficinas, casas, exposições, instalações e eventos paralelos espalhados pelo centro histórico, e está publicada no site do festival junto com o mapa dos espaços.


