O aviso no lugar da inscrição
Quem entra hoje no site do Premio CLAP não encontra formulário nem calendário, e sim uma linha em caixa alta dizendo que não haverá edição 2026. Logo abaixo, a organização resume o que o prêmio foi entre 2013 e 2025 e mantém no ar a galeria com os vencedores de todas as edições, que continua sendo o melhor retrato do que a premiação valorizava.
O CLAP nasceu dentro da FOROALFA, plataforma de artigos e debate sobre design que circula em espanhol e português desde os anos 2000, e ocupava um lugar específico entre as premiações: aceitava projeto de qualquer país ibero- americano, cobrava taxa por projeto e não exigia pacote de serviços nem viagem para cerimônia.
O recado sobre quem vier depois
A parte mais incomum do aviso é o parágrafo final. A organização escreve que qualquer prêmio que se apresente como continuidade do CLAP, usando ou não algum de seus sinais de identidade, não conta com o respaldo da FOROALFA.
É um aviso de marca, e ele se explica pelo mercado em que o prêmio operava. Premiação de design virou negócio com margem: taxa de inscrição, taxa de publicação, troféu vendido à parte, anuário, assinatura de selo. Um nome com doze anos de acervo e reconhecimento na América Latina é ativo cobiçado, e a organização preferiu deixar por escrito que não licenciou nada.
Fica também um lembrete pouco confortável para quem inscreve: prêmio não é instituição perene. Ele depende de quem organiza, de patrocínio e de volume de inscrição, e some sem aviso prévio quando uma dessas pernas quebra. O acervo do CLAP continua acessível por enquanto, e vale olhar antes de sumir, porque é ali que está a memória de doze anos de trabalho premiado em espanhol e português.
A porta mais barata para concorrer fora do país
Para o designer brasileiro, o CLAP era uma das portas mais baratas para concorrer fora do país, com julgamento em espanhol e português e sem a estrutura de custo dos prêmios europeus. Com ele fora, a lista de premiações ibero-americanas com inscrição acessível encolhe, e sobra a Bienal Iberoamericana de Diseño, que acontece a cada dois anos em Madri, e os Prémios Lusófonos da Criatividade, que trabalham por quadrimestre.
Nenhuma das duas ocupa exatamente o mesmo espaço. A BID é bienal e tem foco institucional, com forte presença de escolas e governos. Os Lusófonos limitam o recorte à língua portuguesa. O que o CLAP tinha, e que agora não tem substituto direto, era a combinação de custo baixo, recorte continental e julgamento que premiava trabalho comercial e autoral no mesmo pé.
No Brasil, o calendário de prêmios segue movimentado e é onde a maior parte dos estúdios acaba concentrando inscrição: o Prêmio Bornancini, da Apdesign, está com a 11ª edição aberta até 4 de novembro, com taxa que vai de R$ 99 a R$ 590 conforme categoria e lote, e o Prêmio Brasileiro de Design encerrou o upload da edição 2026 em 22 de setembro, com resultado no fim do ano. Nenhum dos dois cobre a América Latina inteira, que era a aposta do CLAP.


