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MoMA abre primeira exposição dedicada ao design da informação com obra de Fernanda Viégas

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Trinta trabalhos de visualização de dados do acervo do MoMA, na galeria térrea de entrada gratuita.

O que é a Full Disclosure

Uma exposição de acervo sobre design da informação, também chamado de visualização de dados. O museu a apresenta como a primeira que dedica ao assunto por inteiro e descreve o design da informação como um pilar da sua coleção de design. A curadoria é de Paola Antonelli, curadora sênior do Departamento de Arquitetura e Design e diretora de Pesquisa e Desenvolvimento, com Jules Bernstein, assistente de curadoria, e Forrest Pelsue, bolsista do Marron Research Consortium em 2025 e 2026.

No texto de abertura, o museu situa a prática numa linhagem longa: o gráfico de barras que William Playfair inventou em 1786, o mapa com que John Snow rastreou o surto de cólera de Londres em 1854 e os diagramas que W. E. B. Du Bois montou em 1900 sobre a população negra americana.

Onde ver a Full Disclosure e quanto custa

A mostra ocupa a galeria 1 South, no térreo do edifício do museu, em 11 West 53rd Street, Nova York. Segundo o MoMA, essa galeria de rua é gratuita e aberta ao público. A exposição fica em cartaz de 27 de setembro de 2026 a 13 de junho de 2027. Há comentários em áudio no guia digital gratuito Bloomberg Connects, com apoio da Bloomberg Philanthropies.

As obras da Full Disclosure

A lista de obras divulgada pelo museu mistura papel e software. Aparecem Calculating Empires, de Kate Crawford e Vladan Joler; Information Landscapes, de Muriel Cooper e sua equipe no MIT; Flight Patterns, de Aaron Koblin; nove trabalhos da série Dear Data, de Giorgia Lupi e Stefanie Posavec; as fotografias de The Poverty Line, de Chow and Lin; The Seizure of the Iuventa, do Forensic Architecture com a Forensic Oceanography; The Library of Missing Data Sets, de Mimi Ọnụọha; e doze gravuras de William Villalongo e Shraddha Ramani que refazem os retratos de dados de Du Bois no século 21.

As técnicas listadas vão de jato de tinta, serigrafia, litografia e água-tinta a tinta e lápis sobre papel, vídeo digital, software interativo e imagens geradas em Processing, Java, Flash e Python.

As aquisições recentes

O museu não publica uma lista fechada das compras novas, mas o release nomeia seis trabalhos. Calculating Empires: A Genealogy of Technology and Power Since 1500, de 2023, entrou por doação do Committee on Architecture and Design Funds e de Ryan Zurrer. As reportagens interativas do New York Times Why Notre Dame Was a Tinderbox, de 2019, e What the Tulsa Race Massacre Destroyed, de 2021, foram adquiridas em 2025 e são exibidas pela primeira vez no museu. Completam a conta The Seizure of the Iuventa, sobre a apreensão de um navio de resgate no Mediterrâneo; Synthetic Memories, do Domestic Data Streamers, que usa IA generativa para recriar memórias de idosos, refugiados e deslocados; e Two Sides of the Same Coin, de Laura Kurgan, Dan Miller e Adam Vosburgh, que cruza a maior base de microbioma humano já reunida com um mapa de mais de 12 mil anos de uso da terra.

History Flow, a obra de Fernanda Viégas

O checklist do museu identifica Fernanda Bertini Viégas como brasileira, nascida em 1971. History Flow é de 2003, assinado com Martin Wattenberg e com o IBM Thomas J. Watson Research Center, e entrou no acervo por doação dos designers em 2008. São duas impressões cromogênicas geradas por software Java, de 71,1 por 91,4 centímetros cada.

Os dois painéis desenham o histórico de edição de verbetes da Wikipédia. O folheto de sala explica a leitura: o gráfico rosa mostra as modificações do verbete “chocolate” e o verde, as revisões de “abortion”. Os ziguezagues são mudanças de ida e volta, muitas vezes desacordos entre editores; as faixas pretas marcam os pontos em que o artigo foi apagado e substituído por comentários. Wattenberg aparece uma segunda vez na exposição, com Thinking Machine 4, de 2003 e 2004, assinado com Marek Walczak pelo MW2MW.

Quem é Fernanda Viégas

Ela é professora Gordon McKay de ciência da computação em Harvard, com afiliação na Harvard Business School, e professora Sally Starling Seaver no Radcliffe Institute. Codirige o Insight and Interaction Lab com Wattenberg. É também cientista principal no Google, onde cofundou a iniciativa PAIR e o time Big Picture. Tem doutorado pelo MIT Media Lab. Na própria biografia, escreve que é originalmente do Brasil e cresceu no Rio de Janeiro, e registra que o trabalho feito com Wattenberg está no acervo permanente do MoMA.

O que o MoMA diz sobre dados e confiança

Paola Antonelli diz no release que a objetividade dos dados está cada vez mais sob escrutínio enquanto a confiança pública em instituições diminui. Segundo a curadora, numa sociedade em rede movida a dados, os designers da informação são “reporters and translators”, repórteres e tradutores, que oferecem leituras visuais com fonte declarada em vez de verdades absolutas. O texto de abertura da exposição vai na mesma direção: segundo o museu, esses profissionais hoje lidam tanto com confiança quanto com verdade e são cobrados pelas fontes e bases de dados que escolhem ilustrar.

Ficha

Classificação Exposição, Design da informação, Visualização de dados
Preço Galeria térrea gratuita e aberta ao público
Cidade Nova York
Local The Museum of Modern Art, galeria 1 South, térreo
Organização The Museum of Modern Art
Fonte oficial MoMA Press Office
Fonte oficial MoMA Press Office
Fonte oficial MoMA Press Office
Fonte oficial MoMA Press Office
Fonte oficial MoMA Press Office

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