O que é o Ibehas
Pelo texto oficial, um ambiente dedicado à experimentação sonora e à estimulação auditiva, em que os fenômenos acústicos são a matéria-prima. A casa se descreve menos como galeria e mais como plataforma de pesquisa e criação centrada no som, com lógica de laboratório: programação cultural, desenvolvimento técnico e experimentação contínua no mesmo endereço.
O nome é sigla de Iniciativa Brasileira de Experimentos em Holografia e Ambientação Sonora. No endereço funcionava um buffet de festas, remodelado nos últimos três anos pelos produtores musicais e engenheiros de som Guilherme Picorelli, João Ferreira e Raoni Cruz, segundo a reportagem de Isabela Yu na Folha.
A mostra inaugural
Feche os Olhos “parte de uma única premissa: o som como guia, sem qualquer estímulo visual”, diz o anúncio da mostra no perfil da galeria. O texto oficial descreve o mesmo princípio de outra forma: reduzir o protagonismo da imagem para concentrar a percepção na escuta, de modo que o som deixe de ser complemento de uma narrativa visual e passe a organizar espaço, proximidade, deslocamento e intensidade.
São 11 obras criadas para o lugar por 15 artistas, cada uma espacializada sob medida e desenvolvida a partir de testes feitos por cada artista com a equipe da casa. Todos partem da mesma estrutura técnica, com liberdade para escolher entre narrativa, abstração, memória e ambiência. As luzes se apagam e a escuta dura até 30 minutos.
Como é a sala
A espacialização é o projeto. Cerca de 200 caixas de som estão distribuídas pelo salão, que acomoda 50 pessoas em poltronas, e cada região da plateia escuta certos elementos com mais destaque, como numa sala de concerto. Os artistas entregaram um guia de como os sons deveriam se distribuir pelo ambiente. O sistema foi montado sob medida para a mostra e pode ser desmontado e readaptado, com tratamentos acústicos portáteis. Esses números e a descrição do sistema vêm da Folha; o site da galeria fala do sistema sem detalhá-lo.
Entre as referências citadas estão o Studio Panaroma de Música Eletroacústica da Unesp, fundado por Flo Menezes em 1994, e o Monom, estúdio de som espacial no complexo Funkhaus, em Berlim.
Quem assina as obras
A curadoria é responsabilidade de Chico Cornejo, que cuida das relações artísticas do Ibehas e reúne artistas cujas pesquisas tratam o som como matéria de investigação, criação e percepção.
Entre as obras já apresentadas pela galeria estão Inana, de Paulo Beto, com narração de Bibiana Graeff, sobre a trajetória da divindade suméria ao submundo e de volta; Máquina do Mundo, de Numa Gama e Mari Herzer, sobre as zonas entre o mítico, o tecnológico e o imaginário; A Lenda do Homem Peixe-Elétrico, composta e narrada por Marta Supernova; e um trabalho da dupla Fractal Mood, que tem passagens por clubes e pela Bienal de São Paulo.

Quando, quanto e onde
Rua Dr. Sérgio Meira, 231, Barra Funda, São Paulo. O primeiro calendário foi de 17 de setembro a 3 de outubro, com oito datas e duas obras por data; a galeria avisou que os ingressos esgotaram e anunciou um segundo calendário em 17 de setembro, com venda prevista para a semana seguinte. Os ingressos saem pela Fever. A Folha registra R$ 90 e classificação de 18 anos.
Entre uma obra e outra há intervalo no restobar, com drinks assinados por Juglio Ortiz e menu do chef Mario Panezo. A área do bar tem acesso livre. A casa prevê programação contínua, com novas obras desenvolvidas para o ambiente.



