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IMS Paulista abre exposição com cerca de 400 obras de Fernando Lemos no centenário do artista

Tecido com estampa de Fernando Lemos em ondas rosa-pink e vermelhas sobre fundo cru, feito para o vestido Império da Rhodia Moda em 1968
Imagem: Fernando Lemos. Arquivo Fernando Lemos/Acervo Instituto Moreira Salles (divulgação)

Sete décadas de fotografia, desenho, poesia, projeto gráfico e estampa de moda em um só percurso.

O que é e quem organiza

A exposição é do Instituto Moreira Salles e celebra o centenário de nascimento de Fernando Lemos (1926-2019). O IMS apresenta pela primeira vez o arquivo do artista, adquirido em 2019, pouco antes de sua morte: fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda. Somado ao que a família preservou, o conjunto permite acompanhar 70 anos de trabalho em aproximadamente 400 objetos, entre esboços, cartazes, literatura e gravuras.

A curadoria é de Thyago Nogueira, coordenador da área de Arte Contemporânea do IMS, com assistência de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz e consultoria de Rosely Nakagawa. O título sai de um verso do próprio Lemos. Segundo a diretoria do instituto, o caminho da curadoria é a relação entre ocultação e desocultação, que aparece na fotografia, na poesia, no desenho e na pintura.

A mostra faz parte das comemorações do centenário no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o IMS. A página da exposição não anuncia itinerância: o único local e período informados são o IMS Paulista, de 19 de setembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027.

Fotografia em preto e branco de um homem de gravata cujo rosto se dissolve em fios de luz, com uma carta de baralho e uma pena suspensas acima da cabeça
Imagem: Fernando Lemos. Arquivo Fernando Lemos/Acervo Instituto Moreira Salles (divulgação)

Quando e onde

IMS Paulista, Avenida Paulista, 2424, São Paulo. De 19 de setembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027. Entrada gratuita, de terça a domingo e feriados, das 10h às 20h, fechado às segundas, com última admissão 30 minutos antes do encerramento. O IMS avisa que a casa fica fechada ao público em 4 de outubro, domingo do primeiro turno das eleições.

A abertura, em 19 de setembro, foi às 10h na Galeria 3, no 8º andar, seguida de uma conversa às 11h no cinema, no 3º andar, com Thyago Nogueira, João Fernandes e Beatrix Overmeer. A exposição tem um endereço próprio, expofernandolemos.ims.com.br, que redireciona para a página no site do IMS.

O designer que a fotografia costuma esconder

Lemos é lembrado pelas fotografias surrealistas que fez em Lisboa entre 1949 e 1952, que o IMS descreve como um dos conjuntos mais importantes do surrealismo português. Mas o percurso profissional começa e continua no design. Em 1938 ele entra no curso de artes gráficas da Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde fica até 1943, e em 1949 trabalha como desenhista gráfico.

No Brasil, para onde emigrou em 1953 fugindo da repressão salazarista, a cronologia da exposição registra a sequência: em 1962 funda a editora infantil Giroflé, com Sidónio Muralha e Fernando Correia da Silva, e ilustra a primeira publicação da casa; no mesmo ano, a convite do professor Lourival Gomes Machado, então diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, atua como assistente na universidade, cargo de que se afasta em 1964; em 1965 vira sócio do Estúdio de Criação Maitiry, que tinha Décio Pignatari entre os colaboradores; entre 1964 e 1968 assina estampas para coleções da Rhodia.

Página de revista com vista aérea de uma cidade coberta por nanquim preto, de onde emergem figuras humanas recortadas, com trechos do texto impresso ainda visíveis
Imagem: Fernando Lemos. Arquivo Fernando Lemos/Acervo Instituto Moreira Salles (divulgação)

A ABDI também está aí. Lemos participa da fundação da Associação Brasileira de Desenho Industrial em 1966 e a preside entre 1968 e 1969. Em 1968 organiza a I Bienal Internacional de Desenho Industrial, no MAM Rio. Depois vêm a direção do Centro Cultural São Paulo, entre março e agosto de 1983, o trabalho como programador visual na construção do Memorial da América Latina, em 1987, e o livro Na casca do ovo, o princípio do desenho industrial, de 2003. Em 2019, ano de sua morte, o Museu do Design e da Moda de Lisboa montou a exposição Fernando Lemos: designer.

O verbete da Enciclopédia Itaú Cultural, atualizado em 17 de setembro de 2026, confirma a docência na FAU-USP e a presidência da ABDI, da qual ele era membro fundador, e o apresenta nesta ordem: designer gráfico, fotógrafo, desenhista, pintor, tecelão, gravador, muralista, poeta. A enciclopédia situa o início das aulas de desenho na FAU-USP em 1968, e não em 1962 como a cronologia do IMS. Sobre as datas de vida, as duas fontes batem: nasceu em Lisboa em 3 de maio de 1926, com o nome de José Fernandes de Lemos, e morreu em São Paulo em 17 de dezembro de 2019.

Estudo de projeto gráfico em que o retrato de Hilda Hilst sentada é cortado por faixas diagonais de papel e uma barra pintada de marrom
Imagem: Fernando Lemos. Coleção Beatrix Overmeer (divulgação)

O que está exposto

A seleção publicada pelo IMS dá a medida da variedade. Há as fotografias de Lisboa de 1949 a 1952, como Eu, poeta e Procura ardente, reimpressas em papel de gelatina e prata em 2026. Há desenhos a nanquim do mesmo período, como O brinquedo mortífero, de 1949, e a série Desenhos inocentes, de 1953.

Há trabalho gráfico de encomenda: uma ilustração a nanquim e guache feita sobre a própria página da revista Sombra, de setembro de 1953, e um estudo de projeto gráfico de 1959 com o retrato de Hilda Hilst. Há a obra política, com as caricaturas em que Salazar vira um rato preto, publicadas no jornal Portugal Democrático em 1959, e há a moda, no tecido com estampa serigrafada para o vestido Império da Rhodia Moda, de 1968.

Caricatura a nanquim de Salazar como um rato de terno preto e cauda longa, que corta com uma faca um queijo cheio de cruzes de cemitério
Imagem: Fernando Lemos. Arquivo Fernando Lemos/Acervo Instituto Moreira Salles (divulgação)

Do lado tardio, a seleção traz pintura, litografia, os cadernos de 2001 a 2007, a série Ex-fotos e Cor do vento, de 2019. Os trabalhos vêm do Arquivo Fernando Lemos, no acervo do IMS, e da coleção de Beatrix Overmeer.

Composição em preto e branco feita de módulos retangulares preenchidos com tramas, listras, arcos e formas trançadas, como uma cartela de padrões gráficos
Imagem: Fernando Lemos. Coleção Beatrix Overmeer (divulgação)

O catálogo

Quanto mais desejo, mais invento o que vejo reúne mais de 300 obras em 256 páginas, no formato 28 x 23 x 15 cm, com organização de Thyago Nogueira e projeto gráfico do Estúdio Daó e do Estúdio Fóssil. Os textos são de André Pitol, Maria do Carmo Serén, Tereza Siza, Vera Beatriz Siqueira, Rosely Nakagawa, Thyago Nogueira, Ângelo Manjabosco, Laura Sapucaia e Carolina Natividade da Cruz. ISBN 9786588251461, em português, lançamento de setembro de 2026. Capa em Supremo Alta Alvura 250 g/m², miolo em Eurobulk 135 g/m² e Munken Lynx Rough 120 g/m². Custa R$ 190 na loja online do IMS.

Ficha

Classificação Exposição, Design gráfico, Fotografia
Preço Entrada gratuita
Cidade São Paulo
Local IMS Paulista
Organização Instituto Moreira Salles
Fonte oficial Instituto Moreira Salles
Fonte oficial Instituto Moreira Salles · Diretoria do IMS, Thyago Nogueira e a equipe da cronologia (Ângelo Manjabosco, Carolina Natividade da Cruz, Laura Sapucaia, Rosely Nakagawa, Thyago Nogueira)
Também consultados Instituto Moreira Salles · Loja do IMS · Enciclopédia Itaú Cultural · Editores da Enciclopédia Itaú Cultural

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