O que é e quem organiza
A exposição é do Instituto Moreira Salles e celebra o centenário de nascimento de Fernando Lemos (1926-2019). O IMS apresenta pela primeira vez o arquivo do artista, adquirido em 2019, pouco antes de sua morte: fotografias, desenhos, obra política, poesia, projetos de design gráfico e moda. Somado ao que a família preservou, o conjunto permite acompanhar 70 anos de trabalho em aproximadamente 400 objetos, entre esboços, cartazes, literatura e gravuras.
A curadoria é de Thyago Nogueira, coordenador da área de Arte Contemporânea do IMS, com assistência de Laura Sapucaia, pesquisa adicional de Ângelo Manjabosco e Carolina Natividade da Cruz e consultoria de Rosely Nakagawa. O título sai de um verso do próprio Lemos. Segundo a diretoria do instituto, o caminho da curadoria é a relação entre ocultação e desocultação, que aparece na fotografia, na poesia, no desenho e na pintura.
A mostra faz parte das comemorações do centenário no Brasil e em Portugal, um projeto de parceria entre a Fundação Cupertino Miranda (Porto), a Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa) e o IMS. A página da exposição não anuncia itinerância: o único local e período informados são o IMS Paulista, de 19 de setembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027.

Quando e onde
IMS Paulista, Avenida Paulista, 2424, São Paulo. De 19 de setembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027. Entrada gratuita, de terça a domingo e feriados, das 10h às 20h, fechado às segundas, com última admissão 30 minutos antes do encerramento. O IMS avisa que a casa fica fechada ao público em 4 de outubro, domingo do primeiro turno das eleições.
A abertura, em 19 de setembro, foi às 10h na Galeria 3, no 8º andar, seguida de uma conversa às 11h no cinema, no 3º andar, com Thyago Nogueira, João Fernandes e Beatrix Overmeer. A exposição tem um endereço próprio, expofernandolemos.ims.com.br, que redireciona para a página no site do IMS.
O designer que a fotografia costuma esconder
Lemos é lembrado pelas fotografias surrealistas que fez em Lisboa entre 1949 e 1952, que o IMS descreve como um dos conjuntos mais importantes do surrealismo português. Mas o percurso profissional começa e continua no design. Em 1938 ele entra no curso de artes gráficas da Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde fica até 1943, e em 1949 trabalha como desenhista gráfico.
No Brasil, para onde emigrou em 1953 fugindo da repressão salazarista, a cronologia da exposição registra a sequência: em 1962 funda a editora infantil Giroflé, com Sidónio Muralha e Fernando Correia da Silva, e ilustra a primeira publicação da casa; no mesmo ano, a convite do professor Lourival Gomes Machado, então diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, atua como assistente na universidade, cargo de que se afasta em 1964; em 1965 vira sócio do Estúdio de Criação Maitiry, que tinha Décio Pignatari entre os colaboradores; entre 1964 e 1968 assina estampas para coleções da Rhodia.

A ABDI também está aí. Lemos participa da fundação da Associação Brasileira de Desenho Industrial em 1966 e a preside entre 1968 e 1969. Em 1968 organiza a I Bienal Internacional de Desenho Industrial, no MAM Rio. Depois vêm a direção do Centro Cultural São Paulo, entre março e agosto de 1983, o trabalho como programador visual na construção do Memorial da América Latina, em 1987, e o livro Na casca do ovo, o princípio do desenho industrial, de 2003. Em 2019, ano de sua morte, o Museu do Design e da Moda de Lisboa montou a exposição Fernando Lemos: designer.
O verbete da Enciclopédia Itaú Cultural, atualizado em 17 de setembro de 2026, confirma a docência na FAU-USP e a presidência da ABDI, da qual ele era membro fundador, e o apresenta nesta ordem: designer gráfico, fotógrafo, desenhista, pintor, tecelão, gravador, muralista, poeta. A enciclopédia situa o início das aulas de desenho na FAU-USP em 1968, e não em 1962 como a cronologia do IMS. Sobre as datas de vida, as duas fontes batem: nasceu em Lisboa em 3 de maio de 1926, com o nome de José Fernandes de Lemos, e morreu em São Paulo em 17 de dezembro de 2019.

O que está exposto
A seleção publicada pelo IMS dá a medida da variedade. Há as fotografias de Lisboa de 1949 a 1952, como Eu, poeta e Procura ardente, reimpressas em papel de gelatina e prata em 2026. Há desenhos a nanquim do mesmo período, como O brinquedo mortífero, de 1949, e a série Desenhos inocentes, de 1953.
Há trabalho gráfico de encomenda: uma ilustração a nanquim e guache feita sobre a própria página da revista Sombra, de setembro de 1953, e um estudo de projeto gráfico de 1959 com o retrato de Hilda Hilst. Há a obra política, com as caricaturas em que Salazar vira um rato preto, publicadas no jornal Portugal Democrático em 1959, e há a moda, no tecido com estampa serigrafada para o vestido Império da Rhodia Moda, de 1968.

Do lado tardio, a seleção traz pintura, litografia, os cadernos de 2001 a 2007, a série Ex-fotos e Cor do vento, de 2019. Os trabalhos vêm do Arquivo Fernando Lemos, no acervo do IMS, e da coleção de Beatrix Overmeer.

O catálogo
Quanto mais desejo, mais invento o que vejo reúne mais de 300 obras em 256 páginas, no formato 28 x 23 x 15 cm, com organização de Thyago Nogueira e projeto gráfico do Estúdio Daó e do Estúdio Fóssil. Os textos são de André Pitol, Maria do Carmo Serén, Tereza Siza, Vera Beatriz Siqueira, Rosely Nakagawa, Thyago Nogueira, Ângelo Manjabosco, Laura Sapucaia e Carolina Natividade da Cruz. ISBN 9786588251461, em português, lançamento de setembro de 2026. Capa em Supremo Alta Alvura 250 g/m², miolo em Eurobulk 135 g/m² e Munken Lynx Rough 120 g/m². Custa R$ 190 na loja online do IMS.



