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Microsoft, Google e IBM definem como interfaces devem lidar com erro, confiança e controle da IA

Atualizado em 21 Sep 2026

Um guia das diretrizes originais para desenhar produtos com IA, organizado por tema.

De onde vêm as regras

Eric Horvitz, Microsoft Research (1999). Principles of Mixed-Initiative User Interfaces, 12 princípios para dividir a iniciativa entre pessoa e sistema automático. – Saleema Amershi e equipe, Microsoft (2019). Guidelines for Human-AI Interaction: 18 diretrizes tiradas de mais de 150 recomendações e testadas com 49 profissionais de design, divididas em quatro momentos: no início, durante o uso, quando o sistema erra e ao longo do tempo. – Google PAIR (2019, revisado em 2021). People + AI Guidebook: 23 padrões organizados em oito perguntas de quem está construindo o produto. – Justin D. Weisz e equipe, IBM Research (2024). Design Principles for Generative AI Applications: seis princípios, cada um com quatro estratégias.

Na parte sobre honestidade do próprio sistema, o artigo recorre ainda ao Model Spec da OpenAI, à constituição do Claude, da Anthropic, e a um estudo sobre bajulação em modelos de linguagem (Sharma e outros, 2023).

Antes do primeiro uso: dizer o que a IA faz, e quão bem

As três fontes começam no mesmo lugar. O PAIR pede para confirmar se IA é mesmo a tecnologia certa para o problema e para ser transparente sobre o que o produto consegue e não consegue fazer, explicando o benefício em vez da tecnologia. A Microsoft separa duas coisas: mostrar o que o sistema faz e mostrar com que frequência ele erra. A IBM chama isso de modelo mental: ensinar a usar o sistema e avisar que a mesma entrada pode gerar respostas diferentes.

Durante o uso: hora certa, e fácil de ignorar

Horvitz já propunha em 1999 levar em conta a atenção de quem usa e adiar uma ação para quando ela atrapalhe menos. A Microsoft retoma a ideia: decidir quando agir ou interromper conforme a tarefa e o ambiente, e tornar fácil tanto chamar quanto dispensar a ajuda. A mesma lista pede que a linguagem do sistema não reforce estereótipos.

Quando a IA erra

Cinco das 18 diretrizes da Microsoft ficam neste momento. Elas pedem correção fácil, explicação de por que o sistema fez o que fez e, na dúvida sobre o objetivo do usuário, desambiguar ou entregar um serviço mais limitado. Horvitz resume a lógica: fazer menos, mas certo. O PAIR acrescenta assumir a responsabilidade pelos erros e devolver o controle à pessoa quando a automação falha. A IBM pede incerteza visível e caminhos para consertar o resultado: editar, gerar de novo, ver alternativas.

Confiança na medida certa

O objetivo não é fazer confiar mais, e sim na proporção do que o sistema entrega. A IBM sugere mostrar as fontes que deram origem à resposta e colocar atrito de propósito nos pontos de decisão, para a pessoa revisar antes de aceitar. O PAIR recomenda pensar se vale mesmo exibir um índice de confiança do modelo e explicar o necessário no momento, não o sistema inteiro.

O estudo de Sharma e outros mostra por que isso é difícil: cinco assistentes tenderam a concordar com o usuário, e, ao ouvir “tem certeza?”, admitiram erros que não tinham cometido entre 42% (GPT-4) e 98% (Claude 1.3) das vezes.

Quanto automatizar

O PAIR amarra a automação ao risco: automatizar mais quando o risco é baixo, avançar em fases e deixar a pessoa supervisionar. A Microsoft pede controles globais, em que o usuário define o que o sistema monitora e como se comporta, e o PAIR estende a conversa sobre privacidade e permissões do cadastro ao uso contínuo.

Variação e criação a quatro mãos

Aqui a IBM é a fonte mais específica, porque trata só de IA generativa. Gerar várias saídas aumenta a chance de uma servir; o desenho deve ajudar a comparar, organizar e marcar essas versões. Na co-criação, a pessoa precisa de parâmetros que controla e de edição conjunta do resultado, em vez de um veredito pronto.

Ao longo do tempo

A Microsoft reserva sete diretrizes para a relação que continua: lembrar interações recentes, aprender com o comportamento, atualizar com cautela para não desorganizar o que a pessoa já conhece e avisar quando o sistema ganha ou muda capacidades.

A honestidade do próprio sistema

Os documentos mais novos que o artigo cita não são de design, e sim de comportamento de modelo. O Model Spec da OpenAI diz que o assistente não deve seguir agenda própria além de ajudar o usuário nem fingir ser humano. A constituição do Claude pede que ele não persiga agendas ocultas e nunca negue ser uma IA a quem pergunta sinceramente.

Ficha

Designer Microsoft Research, Google PAIR, IBM Research, Eric Horvitz
Classificação Design de produto, Inteligência artificial, UX
Tipo Guia de referência a partir de fontes primárias
Fonte oficial Microsoft Research · Saleema Amershi, Dan Weld, Mihaela Vorvoreanu, Adam Fourney, Besmira Nushi, Penny Collisson, Jina Suh, Shamsi Iqbal, Paul N. Bennett, Kori Inkpen, Jaime Teevan, Ruth Kikin-Gil, Eric Horvitz
Fonte oficial Google PAIR · People + AI Research team
Fonte oficial IBM Research · Justin D. Weisz, Jessica He, Michael Muller, Gabriela Hoefer, Rachel Miles, Werner Geyer
Fonte oficial Eric Horvitz
Também consultados arXiv (ICLR 2024) · Mrinank Sharma, Meg Tong e outros · OpenAI · Anthropic · UX Collective · Taras Bakusevych

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