700 páginas num formato de bolso
A ficha chama atenção antes do conteúdo: são 700 páginas num volume de 135,9 por 170,2 milímetros, capa dura verde, impressão colorida e encadernação costurada. A escolha de manter o formato pequeno num livro dessa espessura produz um bloco quase cúbico, com o corte das páginas aparecendo em faixas de cor, e aproxima o objeto da escala dos folhetos que ele documenta em vez da escala de um livro de mesa.
A capa resolve o título girando as palavras em diagonal, com um sublinhado sob cada haste vertical, num arranjo que não existe em família tipográfica nenhuma e precisa ser montado letra a letra. É coerente com o assunto: a composição do cordel também nasce do que havia na caixa de tipos.

O que o livro propõe
A formulação do projeto é direta: o cordel não é tratado como folclore, mas como um sistema sofisticado de comunicação, em que a tipografia é improvisada, a imperfeição se torna assinatura e a escassez produz uma linguagem gráfica radical. O volume acompanha a xilogravura como forma de pensamento e a oralidade como forma de resistência.
Daí sai a parte mais útil para quem projeta: a organização das figuras recorrentes, cangaceiros, santos, demônios, cowboys, monstros e políticos, como gramática visual compartilhada de crença, sátira, sobrevivência e poder. Em vez de catálogo de imagens bonitas, o que se propõe é a leitura de um repertório com regras próprias, construído por xilogravadores, tipógrafos, impressores e artistas populares desde a década de 1950.
Quem assinou e de onde veio
Victor Yves nasceu em Arapiraca, em Alagoas, e hoje mora em Toronto. Ele descreve o próprio trabalho como ponte entre design gráfico, antropologia visual e preservação cultural, e nos últimos anos construiu o CASCA, arquivo independente dedicado à cultura visual do Nordeste brasileiro, que segue no ar e publica textos sobre artistas da região.
O lançamento no Recife foi em 9 de outubro, no Saltim Café e Tal, em Boa Viagem, com uma oficina de xilogravura e tipografia conduzida pelo cordelista Waldila, neto de Mestre Dila, e com presença do DJ Dolores e do autor.
Preço e onde encontrar
A edição brasileira custa R$ 450 e a internacional, 129 dólares. No Brasil, a lista oficial de pontos de venda traz dois endereços, a FAU-USP e o Museu de Arte Moderna, ambos em São Paulo. Fora do país são mais de dez, entre eles a Printed Matter e a Poster House em Nova York, o Letterform Archive em São Francisco, a Motto em Berlim e Paris, a Flotsam Books em Tóquio e a Matéria Prima no Porto.



