Um convite por edição
O método que sustenta o livro é mais interessante que o livro em si. Desde a fundação, em 1977, a Mostra entrega a arte do cartaz a um artista ou cineasta convidado, sem pedir uma linha gráfica contínua e sem exigir técnica: entraram fotografia, desenho, pintura e o que mais o convidado quis usar, de modo que cada edição tem cara própria e o conjunto não parece saído de um manual de marca.
É o oposto do que faz a maioria dos festivais, que contrata um estúdio para desenhar um sistema e repetir a mesma estrutura com a cor do ano trocada. O resultado dessa escolha aparece na capa do livro, montada como mosaico dos cinquenta pôsteres, onde se vê, em uma imagem só, a mudança de linguagem gráfica brasileira ao longo de cinco décadas.

Este ano a arte é de James Gray, o cineasta norte-americano que recebe na edição o Prêmio Leon Cakoff e uma retrospectiva.
O que está no livro
São 124 páginas no formato de 31 por 39,5 centímetros, com os cartazes da Mostra e também os da Mostrinha, a versão infantil do festival, acompanhados de um texto curto sobre cada peça. A decisão editorial que muda o uso do objeto é o miolo destacável: as páginas dos pôsteres saem do livro, o que transforma a publicação em um conjunto de reproduções soltas para quem quiser pendurar.
Trocar a integridade do volume pela possibilidade de desmontá-lo é uma escolha rara em livro de arquivo, e coerente com o material, já que cartaz nasce para ficar na parede e não na estante.

Tempo e Movimento, no Solar Fábio Prado
O lançamento aconteceu na abertura para imprensa da exposição Tempo e Movimento, concebida por Daniela Thomas, com cenografia dela e de Felipe Tassara, que resume visualmente as cinco décadas do festival e fica no Solar Fábio Prado até 29 de outubro, com entrada gratuita. Até 14 de outubro abre das 10h às 18h, fechando nas segundas; de 15 a 29, das 10h às 22h, todos os dias.
O nome da mostra vem de uma frase de Tomie Ohtake, dita quando ela apresentou a arte que criou para a 17ª edição: para mim cinema é isso, tempo e movimento. A origem do título também diz quem passou por esse convite ao longo dos anos.

O arquivo que ficou aberto
Junto das celebrações entrou no ar o Acervo da Mostra, site de consulta construído em dois anos de recuperação e digitalização do banco de dados do festival, que reúne os cartazes, fotografias, vinhetas e registros de todas as edições, com navegação por edição, filme, direção e país. Em 49 anos foram 11.692 filmes de 8.474 cineastas, números que o próprio festival divulga.
Para quem pesquisa cartaz brasileiro, essa é a parte mais útil do pacote, já que o livro custa R$ 290 e o acervo é aberto. O festival foi criado por Leon Cakoff e é dirigido hoje por Renata de Almeida.
O outro livro
Sai também Antes Que Eu Me Esqueça, em que Renata de Almeida escreve suas memórias desde 1989, com prefácio de Walter Salles, pela editora COSAC, em 256 páginas, 53 imagens e formato de 15,5 por 22 centímetros, a R$ 103. O lançamento é em 15 de outubro, às 18h, também no Solar Fábio Prado. A coordenação editorial é de Alvaro Machado e o projeto gráfico, de Flávia Castanheira.
O livro de cartazes está à venda desde 4 de outubro na Central da Mostra, na Avenida Paulista, no Solar Fábio Prado e na Cultura Artística, com horários diferentes em cada ponto.



