O que o projeto faz
A maioria dos efeitos de vidro na web é um retângulo desfocado: aplica-se um filtro no fundo e pronto. O amazing-glass parte de outra premissa, a de que vidro tem espessura, e o que acontece na borda curva é o que entrega a ilusão. Para cada pixel, o projeto calcula a inclinação da borda, desvia o raio de visão pela lei de Snell e registra o quanto a imagem se deslocou.
São três passagens com intensidades ligeiramente diferentes, uma para cada cor, o que produz aquele arco-íris fino que aparece no canto de um objeto transparente de verdade. O resultado vem empacotado como componente para HTML puro, React e Vue, publicado sob licença MIT no GitHub.
Como a comparação foi medida
Em vez de afirmar que ficou parecido, Iván González montou um aplicativo em SwiftUI que desenha o efeito nativo da Apple sobre as mesmas imagens, no mesmo tamanho, no macOS 27. Depois capturou as duas telas e comparou pixel a pixel, ajustando os parâmetros até a diferença parar de diminuir.
O erro médio ficou em torno de dois pontos por canal de cor, numa escala que vai de zero a 255. É diferença que nenhum olho pega, e o método é o que vale: dá para auditar, repetir e discordar.

O vidro Clear da Apple é fosco
O achado mais útil da comparação é sobre o próprio sistema da Apple. O vidro chamado de Clear, que todo mundo assume transparente, na verdade é fosco: tem cerca de 16 pixels de desfoque. O projeto trabalhava com 1,6, dez vezes menos.
Isso explica uma frustração comum de quem tenta reproduzir a linguagem visual do iOS 27 na web e acha que errou a mão no desfoque. O que parecia excesso é o comportamento do sistema.
Cantos concêntricos e outras medidas
O site também documenta coisas que raramente aparecem escritas, como o tratamento de cantos concêntricos: uma folha que fica oito pixels dentro de um canto de 55 do aparelho precisa ter canto de 47, senão a curva interna destoa da externa. É o tipo de regra que designer de produto descobre na tentativa e erro e quase nunca encontra documentada.
Para quem trabalha com interface, o projeto serve em dois níveis. Como biblioteca, se o produto precisa desse acabamento sem depender do sistema operacional. E como estudo, porque mostra que dá para medir aparência em vez de discutir no olho, que é a conversa mais cansativa de qualquer revisão de design.



