O que é
Uma colagem fotográfica de ícones de travessia, apresentada em escala humana em muro de rua. O ponto de partida é o boneco luminoso do semáforo de Nova York, que o projeto trata como personagem internacional: um sinal gráfico que atravessa línguas e lugares e reaparece em formas diferentes em cada cidade.
O site do projeto formula a pergunta que sustenta a série: se todo mundo considera esses ícones topologicamente idênticos, por que eles dão um caráter tão particular à identidade urbana de cada lugar? A resposta fica na parede. Lado a lado, o boneco de Utrecht ganha saia e cabelo, o de Fredericia vira uma figura de chapéu e bolsa, e o de Nova York continua feito de pontos de LED brancos.

O muro de Manhattan
Walking Men 99 cobriu o canteiro do futuro hotel Four Seasons, na 99 Church Street, por quase quatro anos. A colagem correu 500 pés de tapume de madeirite em três fachadas de rua: Church Street, Park Place e Barclay Street. Em maio de 2012 saiu uma segunda edição, com 25 bonecos novos, todos mandados por seguidores e por quem passava na calçada.
A obra entrou no programa Re:Construction, da Alliance for Downtown New York, com a Silverstein Properties, e teve curadoria de Ayelet Danielle Aldouby e Elinor Milchan, do Artea Projects. Barkai nasceu em Jerusalém, formou-se em fotografia na School of Visual Arts e vive em Nova York, onde hoje trabalha com still life, produto e comida, e dá aula no International Center of Photography.
Quem fotografa
A coleção não é de uma pessoa só. A página de colaboradores lista 171 nomes e duplas, cada um seguido dos países de onde mandou imagens, e o envio segue aberto por e-mail. Barkai chama o processo de esperanto gráfico: um vocabulário que qualquer pessoa reconhece, alimentado por gente que não se conhece.

Onde já esteve
Em setembro de 2010, Walking Men PERMM abriu nas ruas Lenina e Uralskaya, em Perm, na Rússia, com 77 ícones em mais de 400 pés, pelo programa Art in the City do museu PERMM. Em 11 de setembro de 2011, Men At Work NYC foi inaugurado no canteiro da Torre 4 do World Trade Center: quase 150 figuras de placas de obra ao longo de 1.000 pés de parapeito, na Liberty Street. Esse trabalho entrou no Public Art Network 2013 Year in Review, da Americans for the Arts.

Em 2013, o projeto virou mais de 600 bandeiras de poste em Sydney, na Banner Gallery do festival Art & About, da prefeitura, e voltou em 2014 junto da Walk 21, conferência internacional sobre caminhabilidade. Em 2015 foi a vez de Buenos Aires, sétima grande instalação da série, hospedada pelo governo da cidade: o centro ficou no prédio do Banco Ciudad, na esquina de Florida com Sarmiento, e a exposição seguiu por Mitre e San Martín até as bandeiras da Diagonal Norte, na direção do Obelisco.

A maior até agora é Walking Men Taipei, de março de 2018 a março de 2019: mais de 140 ícones em um muro de 400 metros no distrito de Xinyi, em volta do canteiro da torre Fubon Xinyi A25, futura sede do museu de arte contemporânea da Fubon projetado pelo Renzo Piano Building Workshop. Ali, 28 bonecos foram redesenhados como jardim vertical.

Fora da rua
Em 2012, Walking Men 99 foi parar na capa de Between The Times And The Tides, disco solo de Lee Ranaldo, guitarrista e cofundador do Sonic Youth, lançado pela Matador. Ranaldo mora no centro de Manhattan e passava pelo muro todo dia; na página do projeto, ele conta que o disco começou pela foto da capa, tirada em setembro de 2010 por um fotógrafo canadense a caminho de uma entrevista.
No mesmo ano, a Silverstein Properties encomendou duas séries de serigrafias feitas à mão por Donald M. Sheridan, que já imprimiu para Andy Warhol e Robert Rauschenberg. São peças de 30 por 40 polegadas, em edição de 150 cópias assinadas e numeradas. Na loja do projeto, cada serigrafia sai por 650 dólares e os dois cartazes, por 40.
O Brasil na parede
Quatro linhas da lista de colaboradores incluem o Brasil: Amir Naveh, Diogo Figueira, Dorothy Hong e Sara Klein. Nas fotos das instalações dá para ler as cidades: Belo Horizonte aparece nomeada no muro de Manhattan e no de Perm, e São Paulo está no muro de Taipé. O ícone do próprio site do projeto, o desenho que aparece na aba do navegador, é o arquivo Brazil-Belo-Horizonte.



