O que é a Full Disclosure
Uma exposição de acervo sobre design da informação, também chamado de visualização de dados. O museu a apresenta como a primeira que dedica ao assunto por inteiro e descreve o design da informação como um pilar da sua coleção de design. A curadoria é de Paola Antonelli, curadora sênior do Departamento de Arquitetura e Design e diretora de Pesquisa e Desenvolvimento, com Jules Bernstein, assistente de curadoria, e Forrest Pelsue, bolsista do Marron Research Consortium em 2025 e 2026.
No texto de abertura, o museu situa a prática numa linhagem longa: o gráfico de barras que William Playfair inventou em 1786, o mapa com que John Snow rastreou o surto de cólera de Londres em 1854 e os diagramas que W. E. B. Du Bois montou em 1900 sobre a população negra americana.
Onde ver a Full Disclosure e quanto custa
A mostra ocupa a galeria 1 South, no térreo do edifício do museu, em 11 West 53rd Street, Nova York. Segundo o MoMA, essa galeria de rua é gratuita e aberta ao público. A exposição fica em cartaz de 27 de setembro de 2026 a 13 de junho de 2027. Há comentários em áudio no guia digital gratuito Bloomberg Connects, com apoio da Bloomberg Philanthropies.
As obras da Full Disclosure
A lista de obras divulgada pelo museu mistura papel e software. Aparecem Calculating Empires, de Kate Crawford e Vladan Joler; Information Landscapes, de Muriel Cooper e sua equipe no MIT; Flight Patterns, de Aaron Koblin; nove trabalhos da série Dear Data, de Giorgia Lupi e Stefanie Posavec; as fotografias de The Poverty Line, de Chow and Lin; The Seizure of the Iuventa, do Forensic Architecture com a Forensic Oceanography; The Library of Missing Data Sets, de Mimi Ọnụọha; e doze gravuras de William Villalongo e Shraddha Ramani que refazem os retratos de dados de Du Bois no século 21.
As técnicas listadas vão de jato de tinta, serigrafia, litografia e água-tinta a tinta e lápis sobre papel, vídeo digital, software interativo e imagens geradas em Processing, Java, Flash e Python.
As aquisições recentes
O museu não publica uma lista fechada das compras novas, mas o release nomeia seis trabalhos. Calculating Empires: A Genealogy of Technology and Power Since 1500, de 2023, entrou por doação do Committee on Architecture and Design Funds e de Ryan Zurrer. As reportagens interativas do New York Times Why Notre Dame Was a Tinderbox, de 2019, e What the Tulsa Race Massacre Destroyed, de 2021, foram adquiridas em 2025 e são exibidas pela primeira vez no museu. Completam a conta The Seizure of the Iuventa, sobre a apreensão de um navio de resgate no Mediterrâneo; Synthetic Memories, do Domestic Data Streamers, que usa IA generativa para recriar memórias de idosos, refugiados e deslocados; e Two Sides of the Same Coin, de Laura Kurgan, Dan Miller e Adam Vosburgh, que cruza a maior base de microbioma humano já reunida com um mapa de mais de 12 mil anos de uso da terra.
History Flow, a obra de Fernanda Viégas
O checklist do museu identifica Fernanda Bertini Viégas como brasileira, nascida em 1971. History Flow é de 2003, assinado com Martin Wattenberg e com o IBM Thomas J. Watson Research Center, e entrou no acervo por doação dos designers em 2008. São duas impressões cromogênicas geradas por software Java, de 71,1 por 91,4 centímetros cada.
Os dois painéis desenham o histórico de edição de verbetes da Wikipédia. O folheto de sala explica a leitura: o gráfico rosa mostra as modificações do verbete “chocolate” e o verde, as revisões de “abortion”. Os ziguezagues são mudanças de ida e volta, muitas vezes desacordos entre editores; as faixas pretas marcam os pontos em que o artigo foi apagado e substituído por comentários. Wattenberg aparece uma segunda vez na exposição, com Thinking Machine 4, de 2003 e 2004, assinado com Marek Walczak pelo MW2MW.
Quem é Fernanda Viégas
Ela é professora Gordon McKay de ciência da computação em Harvard, com afiliação na Harvard Business School, e professora Sally Starling Seaver no Radcliffe Institute. Codirige o Insight and Interaction Lab com Wattenberg. É também cientista principal no Google, onde cofundou a iniciativa PAIR e o time Big Picture. Tem doutorado pelo MIT Media Lab. Na própria biografia, escreve que é originalmente do Brasil e cresceu no Rio de Janeiro, e registra que o trabalho feito com Wattenberg está no acervo permanente do MoMA.
O que o MoMA diz sobre dados e confiança
Paola Antonelli diz no release que a objetividade dos dados está cada vez mais sob escrutínio enquanto a confiança pública em instituições diminui. Segundo a curadora, numa sociedade em rede movida a dados, os designers da informação são “reporters and translators”, repórteres e tradutores, que oferecem leituras visuais com fonte declarada em vez de verdades absolutas. O texto de abertura da exposição vai na mesma direção: segundo o museu, esses profissionais hoje lidam tanto com confiança quanto com verdade e são cobrados pelas fontes e bases de dados que escolhem ilustrar.

