O que é Graphic Designers After Graphic Design
O livro reúne designers gráficos que usaram a formação e a experiência de trabalho para montar práticas fora do circuito comercial: editar, pesquisar, fazer ativismo, performar, expor. São nomes emergentes e de meio de carreira, de vários países, quase todos com menos de quarenta anos, que continuam se chamando de designers gráficos mesmo fazendo um trabalho que não cabe nas definições correntes.
O argumento do autor é declarado no anúncio que ele publicou no próprio blog em 20 de maio de 2026: as práticas experimentais apontam o futuro do design e, se o design gráfico morreu, os designers gráficos não. A formulação de que esses profissionais estão “redefinindo o que significa ser designer gráfico” é do texto de divulgação da editora.
Jarrett Fuller é professor assistente e diretor dos cursos de graduação em design gráfico na North Carolina State University e dirige o estúdio twenty-six. O prefácio é de Ellen Lupton, que foi professora e orientadora de mestrado dele, segundo o autor.

Como o livro está organizado
Cada capítulo tem uma série de perfis curtos, uma entrevista longa e uma exploração visual do trabalho de um designer. O autor descreve a divisão como edição, pesquisa, ativismo, performance e arte. O capítulo 01 se chama Designer as Publisher e abre na página 22.
As oito imagens de páginas internas que a editora divulgou vêm todas desse primeiro capítulo, entre as páginas 22 e 39. Nelas aparecem o perfil de Rasha Dakkak, de Amsterdã, nas páginas 26 a 31, o de Nina Paim, nas páginas 32 a 35, e a entrevista com Nicole Killian, de Richmond, nas páginas 36 a 39. O cabeçalho de cada perfil traz cidade e ano de nascimento.

O que o livro diz sobre Nina Paim
O perfil abre dizendo que Paim pensa o próprio trabalho como uma forma de mediação, seja ele design gráfico, edição, escrita, curadoria ou organização. Reconstrói a trajetória: graduação em design gráfico na Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro, que o livro identifica como a primeira universidade brasileira a adotar cotas; o projeto de formatura Escola Aberta, uma escola de design temporária co-organizada com a colega Clara Meliande; a saída do Brasil para a Holanda em 2010, para seis meses na Gerrit Rietveld Academie; o mestrado em pesquisa de design na HKB Bern; e a fundação da Common-Interest com Eliot Gisel, em 2018.
O texto conta ainda que a Futuress começou como um site feito para uma exposição de 2019 no Kunstgewerbemuseum de Dresden e virou plataforma editorial, e que Paim saiu dela em 2023 para se concentrar na Bikini Books. Uma legenda identifica as duas primeiras publicações da editora: Made in Patriarchy, de Cheryl Buckley, e On Design, Feminism, and Friendship, de Briar Levit.

A Bikini Books se apresenta como editora feminista de design sediada em Porto, fundada em 2023, que publica não ficção na interseção de história cultural, jornalismo e escrita criativa, e nomeia Nina Paim como editora. O perfil dela na Futuress, plataforma que cofundou, a descreve como designer, curadora e editora brasileira.

O papel do Scratching the Surface
O livro parte do podcast, segundo a editora. Scratching the Surface começou em 2016 como parte do mestrado de Fuller no Maryland Institute College of Art e soma quase 150 episódios gravados. A editora o apresenta como um dos melhores podcasts de design segundo a Architectural Digest e a Dezeen.
O autor faz uma ressalva: o livro não é o podcast em forma de livro, e sim uma expansão das conversas da última década. As notas de rodapé mostram como isso funciona na prática. O perfil de Nina Paim cita o episódio 198, gravado com ela e publicado em 29 de setembro de 2021, cinco anos antes da data de lançamento do livro.
Ficha e onde comprar
Brochura, 6 por 9 polegadas, 208 páginas, ISBN 9781797233956, US$ 35, direitos mundiais. Em 28 de setembro, a página da Princeton Architectural Press marcava o título como fora de estoque, enquanto a da Chronicle Books, que distribui o livro, aceitava pré-encomenda pelo mesmo preço. A loja Draw Down inclui um ex-líbris assinado por Fuller em cada pré-encomenda, com envio estimado para o fim de setembro.
Nenhuma das páginas oficiais publica a lista completa dos mais de 20 perfilados, o sumário ou o crédito do projeto gráfico. A editora nomeia cinco: Nina Paim, Tiger Dingsun, Benedetta Crippa, Sarah Saleh e Na Kim. Os direitos são mundiais, mas não há informação de distribuição no Brasil.
Para quem interessa
Para quem dá aula de design gráfico e precisa de repertório fora do estúdio de marca, para estudantes decidindo que prática querem montar e para quem acompanha edição independente. Para o leitor brasileiro, é também um registro de como a obra de Nina Paim está sendo contada fora do país.



