O que é a Reading/Rooms
O texto do caso define a Reading/Rooms como uma biblioteca curada e espaço cultural em Nova York, que junta livros, trabalho e conversa. São três funções sob o mesmo teto: uma sala de leitura aberta, com acervo selecionado de livros de design, arte, arquitetura, moda e fotografia; um espaço de trabalho silencioso com café, onde a biblioteca serve de fonte de referências; e uma sala de programação para palestras, oficinas e exposições.
As peças repetem sempre os mesmos dados de serviço: endereço 139 Bowery, em Nova York, site readingrooms.org, e horário de segunda a sexta das 8h às 21h, sábado e domingo das 9h às 20h. Um descritivo curto aparece em etiquetas e crachás: “A library of shared culture”.

Quem assina
Os créditos, no painel final do caso, listam cliente Werkstatt.School e ano 2025. Direção de arte de Artem Matyushkin, curadoria de Yulia Kondrateva, design de Anatolie Micaliuc e pesquisa de Daria Kuziakina e Yana Avhimkova. Os mockups são da Bendito Mockups. O projeto foi feito em Figma, Affinity Designer, Canva e Photoshop.
A grade sai do nome
O painel de sistema explica a regra: a grade nasce das letras do nome e do espaço entre elas. Por isso “READING ROOMS” aparece quase sempre quebrado, com RE, A, DI, R, OO, N, G e MS ocupando células distantes, como livros separados numa estante. Conteúdo denso ganha uma grade de muitas colunas; layouts simples usam só dois módulos, um para cada palavra.
O caso também declara três níveis de material: avisos internos, cartazes de evento e projetos especiais. Quanto mais raro o evento, mais livre e gráfica a solução. Nos cartazes de oficina, o espaço vazio da grade recebe rabiscos, zigue-zagues e blocos de barras que imitam lombadas.

Tipografia usada
São quatro fontes, de três lugares diferentes. Onlysans, publicada pela foundry Daria na loja Contemporary Type, é uma sans pós-geométrica de 17 estilos lançada em fevereiro de 2025, com desenho duplexado: as letras ocupam a mesma largura em qualquer peso. Reformat B e Stellage são da SM, de Apeldoorn, na Holanda, ambas de Mark Niemeijer: a primeira é uma grotesca de sete pesos que se coloca entre as grotescas do século 19 e as neogrotescas do século 20; a segunda é uma serifada geométrica de cinco estilos, com serifas quadradas e triangulares. CoFo Sans é da Contrast Foundry, desenhada por Maria Doreuli e lançada em 2018, em sete pesos, do Hairline ao Black.
Aplicações
O catálogo é a peça central: caixa de tecido em três faixas, cinza-escuro, branca e azul, com “BOOK CATALOG 2026” atravessado por riscos; na lombada, o monograma R/R com algarismos circulados e a linha “Edition 2025”. O miolo tem índice alfabético de verbetes com página, de Language 310 a Light 326.

Os cartões de leitor trazem nome, função e data de validade, com retrato em meio tom azul e código de barras. A carteirinha de Konstantin Konstantinopolsky, arte diretor e mentor, vence em 1º de dezembro de 2027; a de Anatolie Micaliuce, descrito como human factor engineer, em 15 de abril de 2030.

Nos lambe-lambes, cada cartaz recomenda um título e imprime o ISBN acima da capa: “Alphabetical Playground”, de Nigel Cottier, a Slanted Magazine Cairo número 46 e “Platform Brutality”, de Geert Lovink, pela Valiz, com 304 páginas.

O sistema desce até o miúdo: marcadores de papel que também anunciam perfumes de livro, etiqueta costurada em camisa, pendura de porta com “Keep silence & have fun! Lecture in progress”, chaveiro de motel com “139 Bowery Street”, chaveiro de couro, lápis azuis, boné bordado e camiseta com as três salas e os horários nas costas. No café, o cardápio fica escrito na parede: ristretto por US$ 2, americano por US$ 2,50, latte por US$ 3,10 e raf por US$ 3,20, com leite e xarope a mais US$ 0,50 e açúcar de graça. Nas estantes, divisórias pretas soletram o nome da casa entre os livros.
O que a página não informa
O caso não diz se a Reading/Rooms funciona, se alguma peça foi produzida ou se o projeto é exercício de escola. Não há tiragem, papel nomeado nem gráfica. O endereço aparece de dois jeitos: 139 Bowery na placa, no site visto no celular, no chaveiro de motel e nos cartões; 39 Bowery no chaveiro de couro e em parte dos lambe-lambes. A licença declarada na página é “no use”.
Ficha do projeto
Publicado em 24 de novembro de 2025 por Anatolie Micaliuc, de Chișinău, na Moldávia, para a Werkstatt.School. Em 27 de setembro de 2026, a página somava 8,1 mil visualizações, 834 apreciações e 106 comentários.



