Quem é Gustavo Bortoletto
Ele se apresenta como brand designer, estrategista e diretor criativo, e trabalha em São Paulo. Antes do estúdio que leva o sobrenome dele, foram mais de 15 anos desenvolvendo campanhas publicitárias, marcas e produtos digitais para agências e startups. O foco hoje é outro: projetos estratégicos de branding, identidade visual e gestão de marcas.
O Bortoletto Studio é um estúdio de uma pessoa só. Em todos os projetos do portfólio, a linha de crédito se repete igual: marca, direção de arte e design de Gustavo Bortoletto. Ele descreve o estúdio como um trabalho que combina clareza estratégica e design para dar forma a identidades visuais e verbais, e o escopo que oferece vai do diagnóstico ao manual de uso, passando por naming e tom de voz.
O portfólio público começou em 20 de abril de 2025, com o primeiro projeto no Behance: a A F* Good Coffee, marca de cafés especiais construída sobre o caos urbano em vez da gourmetização. De lá para cá são 12 projetos publicados na plataforma e 23 no site do estúdio, todos de 2025 e 2026. No Instagram, onde tem 4.557 seguidores, ele lista os países onde atende: Brasil, Inglaterra, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Portugal, México e Filipinas.
Por que agora
Em menos de um ano, seis projetos dele foram escolhidos para galerias curadas do Behance. O Logos & Marks entrou na galeria de Logo em outubro de 2025. Studio Bioma, Peixôu, Finboo e Rossino Ristorante entraram na de Branding entre março e julho de 2026. O Casagrande foi destacado na de InDesign em 17 de agosto de 2026. Somados, os 12 projetos passam de 401 mil visualizações e 31 mil curtidas na plataforma, e o Peixôu sozinho responde por 169.469 visualizações e 11.334 curtidas.
A imprensa de design também chegou. Em 29 de abril de 2026 a Abduzeedo publicou o Casagrande em texto assinado por jeff, que resume o trabalho como tons quentes de dourado, logotipo serifado e sistemas contidos para móveis sob medida.
E há o tamanho dos clientes, incomum para um estúdio de uma pessoa. Em 2025 ele assinou a marca do Bora Belém, programa de transferência de renda da Prefeitura de Belém que garante renda mínima de até R$ 450 mensais a famílias de baixa renda, com prioridade para mulheres, pessoas negras, indígenas e ribeirinhas. Em 2026 vieram dois clientes de fora do Brasil: a Coral, no México, e a Vireo, agência internacional de gestação por substituição, publicada em 27 de setembro.
O projeto: a marca da Coral
A Coral é uma empresa mexicana de marketing promocional. Ela cuida de execução em ponto de venda e de gestão de equipes de campo, conectando marcas, promotores e processos pelo país. O projeto é de 2026 e tem Gustavo Bortoletto em marca, direção de arte e design.
O problema declarado é de categoria. Num setor em que a comunicação gira em torno de promoção e velocidade, o estúdio decidiu posicionar a Coral pelo lado oposto: a confiança que nasce de sistemas, processos e consistência. A ideia central foi pensar a operação como um sistema capaz de conectar pessoas, processos e marcas com clareza e controle.

O nome entregou a imagem. O símbolo saiu das ramificações de um coral marinho: um anel de hastes que se abrem do centro, desenhado com precisão geométrica, usado solto e também dentro de um quadrado arredondado, no papel de ícone de aplicativo. O logotipo fica todo em caixa baixa, construído sobre círculos, com o r em destaque no estudo de desenho e a haste do l terminando numa curva que vira ponto final.

A tipografia primária é a Brockmann, sans serif geométrica que o manual descreve como rigorosa na forma e orgânica na presença, reservada para onde a marca precisa ser vista. A secundária é a Geist, desenhada para tela, encarregada de sustentar a informação com ordem e legibilidade. A paleta tem seis cores nomeadas, cada uma com HEX, RGB, CMYK e Pantone: Coral (FF6A56), Coral Claro (FFB499), Arena (F7F5ED), Blanco, Azul Claro (A9C4FF) e Negro.

As aplicações põem a operação em primeiro plano. Nos crachás, o retrato de cada pessoa vem acompanhado do nome em corpo grande e do cargo logo abaixo, no cordão cor de coral. Quem aparece nos cartazes, no tapume e nos posts é a própria equipe, nomeada: Óscar Carreras em operações, Maria Herrera na coordenação, Gabriela Torres na gerência. Os números da operação entram como conteúdo, não como enfeite: 1.500 equipes capacitadas, mais de 700 operações executadas, mais de 800 pontos de venda.

O sistema de ícones anda na direção contrária da precisão do símbolo. São formas pixeladas, montadas em quadradinhos, que desenham pasta, coração e balão de conversa, e que aparecem na capa dos cadernos, nas ecobags, nas camisetas, nos copos e nos posts. É o lado solto de uma marca que fala de processo, e o que mantém os dois lados juntos é a mesma estrutura de grade. A marca se apresenta com a linha “Somos la conexión que transforma la planeación en resultados”.
Outros trabalhos
A Vireo, de 2026, é o extremo oposto da Coral em assunto. É uma agência internacional de gestação por substituição, que compara legislações, estruturas médicas e custos entre países para indicar o caminho de cada família. O conceito saiu do nome: vireo é um pássaro discreto que atravessa continentes para construir o ninho, e virou um símbolo de curvas leves em gesto contínuo, sob a assinatura “The path to parenthood, made possible”.
A Trato, também de 2026, é uma produtora audiovisual brasileira criada pelos diretores Lufi Rebel, Mateus Werneck e Lucas Amado. Ali o desenho foi para outro lugar: o logo é feito à mão, tratado como assinatura real, para falar de decisão e compromisso em vez de geometria.
A Peixôu, de 2025, é a comedoria de peixe da Mooca, em São Paulo, e mostra o repertório mais quente dele. O conceito é “Do mar pra Mooca”, o logotipo tem serifas orgânicas e o Ô ganha um olho central que vira peixe e funciona sozinho como selo. A paleta mistura amarelo, azul e areia, e a fotografia aposta em estética analógica, com luz natural e granulação.

Como ele trabalha
O método está escrito na página de apresentação do estúdio, em quatro etapas que vão da pesquisa estratégica aos materiais de comunicação. No Diagnóstico entram imersão com fundadores e equipe, análise de mercado e de concorrentes e coleta de percepções sobre a marca. O Posicionamento define propósito, proposta de valor, princípios e território. A Expressão é onde nascem tom de voz, mensagens-chave, naming quando é preciso, identidade visual completa e manual de uso. A Implementação adapta tudo para os formatos físicos e digitais.
O ponto de partida é sempre o mesmo, e ele repete em todo lugar: toda marca começa por entender quem é, para quem fala e o que a torna diferente das outras. A página fecha com a frase que ele usa como resumo do ofício: “Criar é dar vida às marcas de forma inteligente e humana, para que sejam reconhecidas pelo valor real que entregam.”



