Quem escreve
Neeman trabalha com UX há mais de 20 anos e chefiou design nos últimos 13, em empresas como Knowable, Icertis, Apptio e Jobvite. Na Workday, foi diretor de UX para experiências de IA antes do cargo atual, e antes disso foi vice-presidente de UX e pesquisa da Evisort, plataforma de contratos baseada em IA. Assina o blog Usability Counts e mantém um site de referência de leis e heurísticas de interface.
O modelo em questão
O Double Diamond tem quatro fases: Discover e Define no primeiro losango, Develop e Deliver no segundo. Em cada um, o time primeiro abre o leque (pensamento divergente) e depois fecha numa ação focada (convergente). A página oficial do Design Council diz que o processo não é linear, que muitas equipes voltam ao começo ao entender melhor o problema e que construir e testar ideias cedo pode fazer parte da descoberta.

O argumento
Para Neeman, o modelo e o design thinking foram montados em cima de uma conta: pesquisar era barato, e construir a coisa errada era caro e difícil de desfazer. Ele lembra que as origens do método vêm de engenharia, arquitetura e urbanismo, áreas em que errar custa caro. Em software, diz, essa conta virou.
Os números que ele usa vêm de fontes públicas. O relatório AI Index 2025, da Stanford HAI, mostra que consultar um modelo do nível do GPT-3.5 caiu de US$ 20 para US$ 0,07 por milhão de tokens entre novembro de 2022 e outubro de 2024, queda de mais de 280 vezes. A pesquisa de IA de 2025 do Figma, com 2.500 usuários, achou que 60% de quem teve sucesso com produtos de IA explorou várias abordagens, contra 39% de quem não teve.
Se gerar ficou quase de graça, o custo, segundo ele, passou para decidir o que presta. Neeman chama isso de orçamento de julgamento: a fatia do time dedicada a avaliar, e não a produzir candidatos.
Um diamante só
A proposta tem três partes. Um resultado estável, ligado a um comportamento do cliente que o time quer mudar. Uma etapa de geração larga e barata, que ocupa o lugar do antigo Develop. E um padrão escrito do que é bom, combinado antes de gerar qualquer coisa, que é onde o Define foi parar. O primeiro diamante vira um briefing de uma página; o segundo fica mais largo e com mais gente na hora de convergir.
Ele compara com a engenharia de software, que trocou especificações longas por testes quando compilar e publicar ficaram rápidos. No design, diz, os evals (critérios e casos usados para avaliar o que foi gerado) são a nova especificação. O workshop continua valendo quando o objetivo é alinhar pessoas, não quando é gerar ideias.
Onde a ordem antiga continua
Neeman separa os casos em que construir ainda é caro e irreversível: dispositivos médicos, meios de pagamento, tudo que passa por regulador, hardware (um molde não volta atrás) e moda (o tecido é cortado antes de alguém ver a amostra). O teste que propõe é estreito: se dá para desfazer em um dia, não é caso de concentrar o esforço no começo, seja qual for o setor.
Para começar, sugere medir por um mês as horas gastas gerando contra as horas gastas avaliando. Se a avaliação ficar abaixo de um terço, o processo ainda está no preço de 2004.


