O que o Muse faz
A pessoa conversa com o Muse como numa troca de mensagens, no app próprio ou no WhatsApp, e diz o que precisa ser feito. Segundo o anúncio, ele cuida de tarefas pontuais, como mandar um e-mail ou reservar uma viagem, e de objetivos longos, que transforma em plano e segue executando depois que o app é fechado. Volta a falar com a pessoa quando algo muda ou quando precisa de aprovação, por exemplo antes de enviar um e-mail ou concluir uma compra.
No pagamento, usa o Link, da Stripe, que gera um cartão de uso único para o número real não aparecer. A Meta diz que o Shop Pay e o suporte ao 1Password vêm depois, e que o Muse chega em breve aos óculos com IA da empresa.

Como foi desenhado
No texto “How We Designed Muse”, Mona Sarantakos e Christine Awad contam as decisões de produto. A conversa é uma só, longa, sem o formato de pergunta e resposta alternadas: dá para interromper o agente ou mandar várias tarefas de uma vez. Como o Muse também manda mensagens sem ser chamado, a equipe manteve balões de conversa para separar um pensamento do outro. Cada pessoa cria o avatar do seu Muse e dá um nome a ele.

Onde a conversa não basta, a interface é fixa: cartões de aprovação com aceitar e recusar e um armazenamento seguro para senhas. Por padrão, o agente navega sem pedir licença e para antes de ações difíceis de desfazer. As autoras dizem que evitaram pedir confirmação para tudo, para as pessoas não aprovarem por reflexo. Tocar no avatar abre o registro completo do que o agente fez e das permissões concedidas. Há ainda uma aba de objetivos, uma de ideias sugeridas pelo agente e documentos interativos que ele gera, como painéis e roteiros.

Como ele usa um site
O post de segurança, assinado por Tarek Sheasha, da Meta Superintelligence Labs, descreve a navegação. Um subagente de navegador cuida de cada tarefa na web: lê as páginas, percorre o site e preenche formulários. Esse subagente enxerga um retrato da árvore de acessibilidade da página, não o DOM bruto, e não pode rodar JavaScript nela. Quando a pessoa assume o controle do navegador, ou quando o cofre de credenciais está preenchendo um login, o agente fica parado.
Para quem projeta sites, isso quer dizer que um visitante desse tipo depende de a página expor controles, rótulos e estrutura na camada que os leitores de tela também usam. O Web Designer Depot, que noticiou o lançamento, destacou esse ponto: um checkout que confunde um agente pode dar tanto problema quanto um que confunde uma pessoa.

Segurança
Cada usuário tem uma máquina virtual isolada, onde ficam o agente, os dados e as credenciais dos serviços conectados. Um segundo agente, o Sentinel, roda separado do Muse e autoriza tudo que sai para a internet; o Muse não vê senhas nem meios de pagamento. A pessoa escolhe quais apps conectar e com que nível de acesso, e pode recusar que as conversas sejam usadas para treinar os modelos da Meta. A empresa abriu ao público um programa de recompensa por falhas que paga até US$ 300 mil, e promete para ainda este ano uma versão da máquina virtual criptografada com chave que só o usuário tem.


