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Karl Koch, do DuckDuckGo, defende estimar a interação inteira em vez da lista de funcionalidades

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Um ensaio sobre estimar a experiência inteira de uma função, não só a lista de capacidades.

Quem escreve

Karl Koch é designer e desenvolvedor anglo-dinamarquês. Está no DuckDuckGo desde 2023, onde monta a prática de design engineering e lidera o design e o frontend das respostas assistidas por IA da busca. Entre 2021 e 2023 liderou Product Design, DesignOps e Design Systems na Moneybox, onde construiu a base do design system da empresa. Mantém o Kernel UI, biblioteca aberta de componentes semânticos para a web que ele criou, desenhou e programou de ponta a ponta, e com a qual o próprio site é feito. Desde 2021 também é design lead da Cosmic.

O plano que esquece a interação

O ensaio saiu na seção de opinião do site dele e parte de um princípio que ele mesmo escreveu para o time em 3 de setembro: quando o tempo aperta, reduzir escopo antes de reduzir qualidade. A parte incômoda, diz, é fazer isso significar alguma coisa diante de um prazo e de mais trabalho do que tempo. Concordar que os detalhes importam é fácil; difícil é decidir qual funcionalidade fica de fora para que as outras fiquem prontas. Koch escreve que não quer que o padrão de trabalho do time dependa de alguém “finding a spare evening to make the product feel coherent”, achar uma noite livre para dar coerência ao produto. Ele avisa que a prática ainda está em construção e que o texto é uma intenção, não um problema resolvido.

O exemplo da exportação

A função imaginária é simples: as pessoas precisam baixar um relatório, e a equipe gostaria de oferecer escolha de formatos, preferências salvas e histórico de exportações. O plano tentador lista essas capacidades e estima o trabalho de construir cada uma. Aí a implementação começa e aparece o resto: gerar o relatório demora e alguém precisa explicar a espera; a exportação pode falhar e precisa de um estado de erro útil; o botão pode ser apertado duas vezes, e é preciso decidir o que o segundo clique faz.

Nada disso surpreende quem pensa em alguém usando a função, escreve Koch. Só não estava visível na lista de capacidades. E chamar esse trabalho de acabamento faz dele algo fácil de adiar, porque a exportação funciona, afinal: aperta-se o botão e em algum momento um arquivo aparece. Quem aperta é que não sabe se algo está acontecendo, se deve tentar de novo ou se quebrou alguma coisa. A proposta dele é estimar a experiência de pedir e receber o relatório, incluindo o que acontece enquanto o sistema trabalha e como a pessoa se recupera de uma falha. Formatos extras e preferências salvas viram decisões separadas, com custo próprio.

O que entra na primeira versão

A tabela do ensaio tem duas colunas. Na primeira versão: um formato útil de exportação; retorno claro de progresso e de conclusão; uma falha compreensível e uma forma de tentar de novo; acesso por teclado e proteção contra pedido duplicado acidental. Para uma versão posterior: formatos adicionais; preferências de exportação salvas; histórico navegável; efeitos de transição mais elaborados.

Koch ressalva que aquilo não é um plano universal de exportação, e que outro público pode precisar de dois formatos desde o início. O ganho, para ele, está em tornar a decisão explícita, para que as partes inacabadas da interação central não virem a economia invisível que faz o cronograma fechar.

Ser específico sobre o que merece cuidado

A segunda parte do texto ataca a palavra craft, que vira frustrante quando significa o que a pessoa mais exigente da sala quiser que signifique. Ele assume o próprio gosto: movimento, tipografia, a relação entre uma superfície e outra, detalhes em que passa tempo e que outra pessoa mal nota. Isso não torna toda melhoria igualmente importante para o produto que está sendo entregue.

É aqui que entra a única referência externa do ensaio: o texto de Emil Kowalski sobre quando animações são úteis, que Koch chama de lembrete para questionar o efeito em si. Kowalski é design engineer no time de Web da Linear, trabalhou antes no time de design da Vercel e é autor das bibliotecas Sonner e Vaul. O texto dele conclui que às vezes a melhor animação é nenhuma animação, e propõe como regra prática manter animações de interface abaixo de 300 ms.

Aplicado à exportação, o critério fica concreto: o retorno que confirma o pedido importa mais que uma entrada elaborada para esse retorno, e um erro legível importa mais que um erro bem animado. E dá à revisão um ponto de partida melhor. Em vez de pedir que a coisa fique melhor, aponta-se a incerteza: apertei o botão e não deu para saber se o pedido tinha começado. Alguém pode investigar isso e propor uma correção, sem precisar adivinhar qual versão de bom gosto deve satisfazer.

Quem termina o trabalho

Koch liga o assunto ao que já fez. Na Moneybox foi a base do design system; no DuckDuckGo, a pergunta é como tornar qualidade repetível numa prática em formação. Os dois casos o interessam pelo mesmo motivo: como uma decisão sobrevive à pessoa que se importou com ela primeiro. Um componente compartilhado entrega, por padrão, um bom estado de carregamento à próxima funcionalidade. Uma explicação curta ajuda outro engenheiro a reconhecer o mesmo problema em outro lugar. Nenhum dos dois dispensa revisar a funcionalidade em contexto, mas reduzem o quanto é preciso redescobrir.

O que ele pede é que quem desenha a interação continue envolvido até vê-la funcionando com conteúdo real, estados estranhos e entrada comum, e que esse tempo exista no plano. Vai continuar havendo coisa que passa e decisão para rever depois do lançamento, escreve, porque nenhum processo elimina isso. O que dá para evitar é montar um processo que precise de resgate toda vez. A pergunta com que ele fecha é a que quer levar à próxima reunião de planejamento: diante de um plano que só cabe no prazo, qual parte da experiência está sendo deixada para alguém terminar depois?

Ficha

Designer Karl Koch
Classificação Design engineering, Processo de produto, Interface
Tipo Ensaio no site do autor
Fonte oficial Karl Koch
Fonte oficial Karl Koch
Fonte oficial Karl Koch
Fonte oficial Karl Koch
Fonte oficial Emil Kowalski
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