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Apple publica o guia de design do iPhone Duo; Android, Material 3 e Samsung já tinham os seus

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Um app de mensagens em três aparelhos: celular comum, dobrável aberto em dois painéis e dobrável meio aberto sobre a mesa
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)

O que Android, Material 3, Samsung e Apple recomendam para apps em telas dobráveis.

O que mudou em setembro de 2026

A Apple anunciou o iPhone Duo em 9 de setembro de 2026 e o descreve como o primeiro iPhone dobrável. A tela interna tem 7,6 polegadas, a externa tem 5,4, e as duas compartilham a mesma proporção. A pré-venda começa em 16 de outubro e a venda em 23 de outubro.

No mesmo 9 de setembro, entrou no ar a página Designing for iPhone Duo, nas Human Interface Guidelines. O change log da página registra a data e a chama de página nova.

Do lado do Android, o assunto não é novo: a Samsung lançou o Galaxy Fold em 2019, o primeiro dobrável com One UI, e o Google já reescreveu a documentação uma vez. As diretrizes de qualidade adaptativa substituíram e ampliaram o que antes se chamava large screen app quality.

As cinco faixas de largura do Android

O Android classifica o espaço disponível para o app em cinco faixas de largura: compact, medium, expanded, large e extra-large. Os cortes ficam em 600, 840, 1200 e 1600 dp. Compact cobre 99,96% dos celulares em retrato. A tela interna da maioria dos dobráveis grandes cai em medium no retrato e em ao menos expanded na paisagem.

Duas advertências vêm junto na documentação. A faixa descreve a janela entregue ao app, não o aparelho, e não serve como lógica de isTablet. E ela muda durante a execução: girar, abrir e entrar em multi-janela trocam a faixa, então a interface precisa acompanhar.

Cinco silhuetas de janela em verde, marcadas Compact, Medium, Expanded, Large e Extra-large, com os cortes em 600, 840, 1200 e 1600 dp
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)

A regra da largura máxima

A página de layout adaptativo do Android é direta: “Set a max width on content and components to prevent stretching full width”. O oposto está listado como erro, junto com esticar componentes em vez de mudar a apresentação deles. Campos de formulário e botões entram na mesma frase: não esticam.

A Material 3 dá o número que falta. Em todos os breakpoints, margens e estilos de texto devem manter a linha entre 40 e 60 caracteres.

A Apple chega no mesmo ponto por outro caminho. A orientação para o iPhone Duo é usar size classes, margens de layout e safe area insets, e evitar larguras fixas ou qualquer dependência de uma tela específica.

Há ainda um erro que o Android trata à parte: travar o app em retrato. Isso produz letterboxing quando o app é redimensionado, e acontece em desktop windowing e em multitarefa, não só em dobrável.

Tela de configurações de mensagens ocupando toda a largura de um tablet, com os interruptores muito longe dos rótulos
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)
A mesma tela de configurações com largura máxima definida, centralizada e com os interruptores perto dos rótulos
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)

Painéis, e quantos cabem em cada faixa

O conceito que organiza o resto é o painel. No Android, compact fica em um painel só, medium usa um ou dois, large e extra-large usam vários. A tabela da Material 3 é mais detalhada: compact 1, medium 1 recomendado ou 2, expanded e large 1 ou 2, extra-large de 1 a 3.

A Material 3 também marca o limite. Dois painéis em um layout medium com alta densidade de informação reduzem a usabilidade, e a recomendação é não fazer isso.

Três métodos de adaptação aparecem na documentação do Android: reflow (o conteúdo se reorganiza na grade), reveal (mais conteúdo aparece) e presentation change (o componente troca de forma, como uma bottom sheet que vira side sheet).

Tela de ajuda em um painel no celular e em vários blocos lado a lado no dobrável aberto
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)

Tabletop e book: o aparelho meio aberto

O Android define dois estados, FLAT (totalmente aberto) e HALF_OPENED. No meio aberto, a orientação da dobra define a postura: dobra horizontal é tabletop, dobra vertical é book. A documentação pede dividir o conteúdo em duas áreas, acima e abaixo no tabletop, à esquerda e à direita no book.

A dobra não é só uma linha visual. Em aparelhos de duas telas o occlusionType é FULL: nenhum conteúdo aparece na área da dobradiça, mesmo com o app ocupando as duas telas. Daí a instrução de posicionar diálogos e menus fora da dobra.

Há também o que acontece na troca. O app para e reinicia ao passar de uma tela para a outra, e cabe a ele preservar e restaurar o estado. A Samsung diz a mesma coisa do jeito do produto: ao abrir o aparelho, o app deve aparecer na tela principal exatamente onde a pessoa parou.

O Android ainda lista dois modos que só existem em dobrável: rear display mode, que usa a tela externa com o aparelho aberto, e dual-screen mode, que mostra conteúdo nas duas ao mesmo tempo.

Dobrável aberto totalmente plano com lista e detalhe, ao lado do mesmo aparelho meio aberto com o teclado na metade de baixo
Imagem: Android Open Source Project, via Android Developers (reprodução conforme a licença de conteúdo do site)

O que a Apple chama de poses e regiões reservadas

O iPhone Duo tem duas telas, cada uma com câmera frontal própria, e dobradiça no centro. A Apple chama de poses as formas de segurar e apoiar o aparelho, e avisa que suportá-las não significa desenhar um layout para cada uma: o fundamento é largura compact para a tela externa e regular para a interna.

Além das safe areas, a Apple descreve três regiões reservadas. A câmera frontal externa está sempre presente. A câmera interna só existe quando está ativa. E a região da dobra é condicional: com o aparelho parcialmente aberto, ela divide a tela interna e exclui o centro.

A orientação sobre movimento é explícita: evitar mudanças extremas de layout enquanto a pessoa dobra o aparelho, mexendo só no necessário para manter os elementos visíveis e fáceis de tocar.

Duas peças de layout aparecem na página. A split view expande na tela interna e colapsa para um painel na externa. E a arrangement view, contêiner com uma vista primária e uma secundária, em dois tipos: split, que divide a área, e overlay, que sobrepõe as vistas.

Um detalhe de hardware vira regra de interface: barras de ferramentas, barras de abas e controles de navegação vão para a lateral, para preservar espaço vertical de conteúdo.

O que a Samsung pede no Galaxy Z Fold e Z Flip

A Samsung resume a checagem em três itens: o app deve ser redimensionável, deve suportar paisagem e deve oferecer um layout de tela grande.

O Flex Mode tem regra própria. Com o aparelho parcialmente dobrado sobre uma mesa, o conteúdo fica na metade de cima, que está inclinada, e os controles na metade de baixo, que está deitada. Câmera, vídeo e chamada de vídeo são os exemplos que a Samsung dá.

A Samsung também descreve o problema de proporção que o Z Fold cria: a tela externa tem proporção parecida com a de um celular comum, e a interna é quase quadrada. Quando o conteúdo não serve para certa proporção, a saída apontada é limitar com minAspectRatio, introduzida no Android 10, ou maxAspectRatio.

Como testar antes de publicar

As diretrizes de qualidade adaptativa do Android organizam o resultado em três níveis: Tier 3 (adaptive ready), Tier 2 (adaptive optimized) e Tier 1 (adaptive differentiated). Só o Tier 1 cobre multitarefa, posturas de dobrável, arrastar e soltar e caneta.

Para layout e experiência, a página lista os tamanhos de teste: dobrável em 841×701 dp, tablet de 8 polegadas em 1024×640, tablet de 10,5 polegadas em 1280×800 e Chromebook de 13 polegadas em 1600×900. Os emuladores sugeridos incluem um Fold de 7,6 polegadas com tela externa e o Surface Duo, de duas telas.

Do lado da Apple, o Device Hub do Xcode simula o iPhone Duo nas várias poses.

De onde veio esta pauta

O recorte é de Allie Paschal, designer de UX certificada em acessibilidade web, com certificações DHS Trusted Tester (Seção 508), IAAP CPWA e NN/g UXC, e trabalhos em destaque para a Honeywell no site dela. Em 17 de setembro de 2026 ela publicou no UX Collective um post pedindo que ninguém estique o app para dobráveis: projetar para o espaço disponível, porque dobrável não é só tela maior. As recomendações acima foram conferidas uma a uma nas páginas oficiais de Android, Material 3, Samsung e Apple.

Ficha

Classificação Design de produto, Mobile, Dobráveis
Tipo Guia apoiado em documentação oficial
Fonte oficial Apple
Fonte oficial Apple
Fonte oficial Apple
Fonte oficial Android Developers
Fonte oficial Android Developers
Fonte oficial Android Developers
Fonte oficial Android Developers
Fonte oficial Material Design 3
Fonte oficial Samsung Developer
Fonte oficial Samsung Developer
Saiba mais em UX Collective · Allie Paschal · Allie Paschal · Android Developers

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